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Para leigos19 de agosto de 2026

O remédio funcionou no teste — e mesmo assim vai começar tudo de novo

A apraglutida reduziu em 25,5% a alimentação na veia de quem tem síndrome do intestino curto, mas vai refazer o estudo do zero: ninguém sabe ao certo qual dose foi testada.

Existe uma doença rara chamada síndrome do intestino curto. A pessoa perdeu boa parte do intestino — por cirurgia, doença ou má-formação — e não consegue mais absorver comida pelo caminho normal. Para sobreviver, ela se alimenta por uma veia, ligada a um cateter, vários dias por semana.

Um remédio chamado apraglutida foi criado justamente para reduzir essa dependência. E ele virou notícia por um motivo estranho: passou no teste e vai ter que refazer o teste do zero.


O que se sabe

No estudo principal, feito com 163 adultos, o resultado foi este:

Quem tomou apraglutida reduziu 25,5% do volume de alimentação na veia em 6 meses. Quem tomou placebo (a injeção sem remédio) reduziu 12,5%.

A diferença é real e não foi obra do acaso. Também houve mais gente conseguindo cortar pelo menos um dia de alimentação na veia por semana: 43% contra 27,5%.

O que ainda NÃO se sabe

Reduzir o volume não é a mesma coisa que largar o cateter. E é aí que o número engana.

  • Livrar-se por completo da alimentação na veia: 12,5% com o remédio contra 7,4% com placebo. Diferença pequena demais para se afirmar que existe.
  • Dias totalmente sem suporte: 51,8% contra 44,4%. Também sem diferença comprovada.

Ou seja: o estudo mostrou que dá para diminuir. Não mostrou que dá para parar.

E apareceu um problema sério

Depois do estudo, a empresa descobriu que a dose que chegou de fato no paciente foi menor do que a planejada, por causa da forma como o remédio era preparado e aplicado. Traduzindo: ninguém sabe ao certo qual dose foi testada.

Por isso a FDA — a agência que aprova remédios nos Estados Unidos — exigiu um estudo novo, do zero. Esse estudo começou em junho de 2026 e está recrutando pacientes agora.


O cuidado

A apraglutida não é aprovada em lugar nenhum do mundo: nem nos Estados Unidos, nem na Europa, nem no Brasil.

Um remédio irmão, a glepaglutida, viveu exatamente a mesma história: teste com resultado positivo, reprovação pela FDA em dezembro de 2024 e um estudo novo começando em janeiro de 2026.

Se alguém oferecer qualquer um dos dois, não existe versão legal — é mercado cinza, sem nenhuma garantia do que está dentro do frasco.

No Brasil, o único remédio dessa família com registro na Anvisa é a teduglutida (Revestive), liberada para adultos desde 2018 e para crianças a partir de 1 ano desde 2021. É remédio de prescrição, para uma doença rara e grave. Não é suplemento, não é "peptídeo de bem-estar" e não tem nenhuma relação com emagrecimento.

As fontes


Este texto é informativo e não substitui a orientação do seu médico.

Fontes

  1. https://www.healio.com/news/gastroenterology/20240229/stars-apraglutide-reduces-need-for-parenteral-support-in-short-bowel-syndrome-by-week-24
  2. https://investor.ironwoodpharma.com/press-releases/press-release-details/2025/Ironwood-Pharmaceuticals-Provides-Clinical-and-Regulatory-Update-on-Apraglutide/default.aspx
  3. https://www.businesswire.com/news/home/20260714515996/en/Ironwood-Appoints-Dr.-Jeffrey-Silber-Chief-Medical-Officer-and-Head-of-Research-and-Drug-Development-STARS-2-Trial-Initiated-in-June-and-Is-Now-Actively-Recruiting-Patients
  4. https://www.hcplive.com/view/fda-issues-crl-glepaglutide-short-bowel-syndrome-cites-insufficient-evidence
  5. https://revistadafarmacia.com.br/industria/anvisa-aprova-tratamento-da-takeda-para-criancas-com-sindrome-do-intestino-curto/