O REMÉDIO PASSOU NO TESTE — E MESMO ASSIM NÃO FOI APROVADO
Um remédio da família GLP-2 reduziu a dependência de nutrição por veia na síndrome do intestino curto — mas a agência dos EUA pediu mais provas antes de aprovar.
Nem todo peptídeo é caneta de emagrecer. Existe uma família chamada GLP-2, usada numa doença séria e rara: a síndrome do intestino curto, quando a pessoa perdeu grande parte do intestino e precisa se alimentar por veia (a chamada nutrição parenteral). Em 2025, essa área rendeu uma lição valiosa sobre como a ciência de verdade funciona.
O que aconteceu
Um remédio chamado apraglutida foi testado no maior estudo já feito nessa doença, com 163 pacientes. Ele reduziu a necessidade de alimentação por veia mais do que o placebo.
No estudo, a redução foi de cerca de −25,5% com o remédio contra −12,5% com placebo. É um bom sinal — mas ainda não é a história toda.
Mesmo com esse resultado, a agência dos Estados Unidos (a FDA) disse que ainda não basta e pediu mais um estudo antes de aprovar.
O que ainda não se sabe
O objetivo que mais importa — o paciente conseguir largar de vez a alimentação por veia — não mostrou diferença clara (12,5% vs 7,4%).
E um "primo" da mesma família, a glepaglutida, chegou a ser recusado pela FDA em dezembro de 2024.
O cuidado
Reduzir um pouco a dependência não é o mesmo que curar. E passar num teste não é o mesmo que estar aprovado e disponível.
Este não é um peptídeo de emagrecimento, estética ou "bem-estar" — é um tratamento hospitalar para uma doença grave. No Brasil, o único remédio dessa família com registro na ANVISA é a teduglutida (Revestive).
A fonte
Dados do estudo STARS (Healio/ACG, 2024) e comunicado da Ironwood de 14/04/2025.
