Chegou a caneta de diabetes de uma vez por semana — e ela não emagrece como o Ozempic
A Anvisa aprovou o Kyinsu, caneta semanal que junta insulina e semaglutida: menos picadas e muito menos hipoglicemia, mas não é um remédio de emagrecimento.
Na segunda-feira, 28 de setembro, a Anvisa aprovou no Brasil o Kyinsu: uma caneta que junta, numa só aplicação semanal, uma insulina de longa duração e a semaglutida — a mesma substância do Ozempic. É indicada para adultos com diabetes tipo 2 que já usam insulina ou um remédio da família do GLP-1 e ainda não conseguiram controlar o açúcar no sangue.
O que se sabe
- Menos picadas. Quem usava insulina todos os dias (quatro a cinco aplicações diárias, entre a basal e as das refeições) passou a usar uma por semana e manteve o mesmo controle do açúcar.
- Muito menos queda de açúcar. Os episódios de hipoglicemia caíram de 2,23 para 0,21 por pessoa ao ano em comparação com o esquema de injeções diárias.
- Peso. Nos estudos em que o comparador foi insulina comum, o peso ficou cerca de 6 kg menor no grupo do Kyinsu.
No conjunto dos estudos: peso 6,10 kg menor (p<0,00001), mas a diferença no exame de controle do açúcar (HbA1c) não foi estatisticamente significativa (p=0,21). Fonte: revisão com meta-análise dos estudos COMBINE, 2026 — PMID 42681675.
O que NÃO se sabe
- Quando os pesquisadores somaram os estudos, a vantagem no HbA1c (o exame que mostra a média de açúcar dos últimos meses) não foi estatisticamente significativa. O ganho mais claro é conforto e segurança, não um açúcar muito melhor.
- Nenhum estudo mediu até hoje se essa caneta reduz infarto, AVC ou morte. As melhoras de pressão e colesterol observadas são sinais indiretos, não prova de que evita eventos.
- São apenas dois estudos somados, abertos (todos sabiam quem estava tomando o quê) e patrocinados pelo fabricante.
- Não há dado nenhum em diabetes tipo 1, e nada disso se aplica a quem já está com o diabetes bem controlado.
Cuidado: o ponto que mais confunde
Aqueles "6 kg" aparecem na comparação com insulina — não com o Ozempic.
No estudo que comparou o Kyinsu com a semaglutida sozinha, quem usou o Kyinsu ganhou peso e quem usou só a semaglutida perdeu. A leitura honesta é esta: o Kyinsu é um remédio para controlar o diabetes com menos aplicações e menos risco de hipoglicemia. Ele não é um remédio de emagrecimento e não substitui a semaglutida isolada para quem busca perder peso.
Os efeitos mais comuns são hipoglicemia e desconforto de estômago e intestino (náusea, diarreia), em mais de uma em cada dez pessoas. Preço e data de chegada às farmácias ainda não foram divulgados.
É um medicamento tarjado, de uso com receita. Só o seu médico pode avaliar se faz sentido para o seu caso — e nunca se deve começar, trocar ou interromper insulina por conta própria.
As fontes
- Anvisa — Registro do Kyinsu, 28/09/2026. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-registra-caneta-para-diabetes-que-combina-insulina-e-semaglutida
- Agência Europeia de Medicamentos — resumo público do Kyinsu. https://www.ema.europa.eu/en/documents/overview/kyinsu-epar-medicine-overview_en.pdf
- Alper A, et al. Revisão sistemática e meta-análise dos estudos COMBINE. Cardiovasc Diabetol Endocrinol Rep 2026;12:59 — PMID 42681675. https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC13536828/
Conteúdo informativo. Não é indicação de tratamento nem substitui a consulta com o seu médico.
