Para leigos22 de setembro de 2026
O Mounjaro agora "protege o coração"? O que o estudo mostrou de verdade
Nos EUA, o Mounjaro ganhou indicação para o coração, mas o estudo só mostrou que ele não é pior que outro remédio — e no Brasil isso ainda não foi aprovado.
Em 28 de agosto de 2026, a agência de medicamentos dos EUA (FDA) aprovou o Mounjaro (tirzepatida) para diminuir o risco de infarto, AVC e morte por causa do coração em adultos com diabetes tipo 2 e risco cardiovascular alto. A notícia correu rápido. O que o estudo mostrou é mais sutil.
O que se sabe
- Quem participou: mais de 13 mil pessoas com diabetes tipo 2 e doença no coração ou nas artérias, acompanhadas por cerca de 4 anos.
- Com o que foi comparado: com outro remédio injetável que já protege o coração, o Trulicity (dulaglutida). Não houve grupo sem remédio.
- O resultado: 12,2% tiveram infarto, AVC ou morte cardíaca com Mounjaro, contra 13,1% com Trulicity.
Em resumo: o Mounjaro não foi pior que um remédio que já protege o coração — mas também não provou ser melhor. Nicholls SJ et al., NEJM, 2025. Ver estudo
O que ainda não se sabe
- Quanto ele protege comparado a não tomar nada. Isso nunca foi testado diretamente. Existem estimativas indiretas, feitas com contas entre estudos diferentes, que sugerem benefício — mas são estimativas.
- Se vale para quem tem obesidade sem diabetes. Essas pessoas não entraram no estudo.
Cuidado
- O número de "8% menos": ele aparece nas notícias, mas não passou no teste estatístico. Pode ser acaso.
- No Brasil é diferente: a ANVISA aprovou o Mounjaro para diabetes tipo 2 e para controle de peso (ANVISA). A indicação "para o coração", aprovada nos EUA (comunicado da fabricante), ainda não foi aprovada aqui.
- É remédio de receita: enjoo, diarreia e outros efeitos no estômago e intestino são comuns. Nada de usar por conta própria nem comprar fora da farmácia.
Converse com seu médico antes de começar, parar ou trocar qualquer remédio.
Conteúdo informativo; não substitui consulta médica.
