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Para leigos14 de setembro de 2026

O remédio que evita mais fratura — e que saiu da lista do SUS

Um estudo de 2026 indica que começar pela injeção que constrói osso evita mais fratura na coluna — mas só foi testado em mulheres, e no Brasil esse remédio saiu da lista do SUS.

Quem já quebrou uma vértebra por osteoporose tem risco alto de quebrar de novo nos meses seguintes. Não em dez anos: em meses. Por isso a ordem do tratamento virou assunto — e um estudo publicado em 2026 acaba de colocar número nisso.


O que foi comparado

Existem dois tipos de remédio para osteoporose:

  • Os que freiam a perda de osso — os mais usados e mais baratos, como o alendronato (aquele comprimido semanal).
  • Os que constroem osso novo — injeções: teriparatida, abaloparatida e romosozumabe.

O estudo juntou 6 pesquisas e 17.872 pessoas para responder uma pergunta simples: em quem tem risco muito alto, é melhor começar pelo que freia ou pelo que constrói?


O que se sabe

Começando pelo remédio que constrói osso, houve 57% menos fratura na coluna. (Cipolloni V et al., Medicina, 2026)

Fratura em geral e fratura de quadril também caíram nesse grupo.

E existe um estudo mais antigo, mas mais forte no método — porque comparou os dois remédios diretamente, cara a cara, com 1.360 mulheres sorteadas para um ou para outro:

  • Teriparatida (injeção diária): 5,4% tiveram nova fratura na coluna
  • Risedronato (comprimido semanal): 12,0% tiveram nova fratura na coluna

Menos da metade. Esse é um resultado sólido.


O que NÃO se sabe

  • Não foi testado em homens. Todas as 6 pesquisas juntadas incluíram apenas mulheres depois da menopausa. Não existe prova equivalente para o público masculino.
  • Fora da coluna, a vantagem não se confirmou. Naquele estudo cara a cara, as fraturas de punho, braço e quadril até foram menos frequentes com a injeção, mas a diferença foi pequena demais para ser considerada confiável pelos próprios pesquisadores.
  • Não se sabe se vale para todo mundo. Quem já tomou comprimido por anos, ou quem tem osteoporose causada por corticoide, não estava representado nesses estudos.

O cuidado

"Construir osso" soa como uma coisa só, mas são três remédios diferentes — e tratá-los como iguais é o erro fácil de cometer lendo a manchete.

  • O romosozumabe nem é peptídeo: é um anticorpo, outra categoria de medicamento.
  • Nos estudos dele, houve mais eventos cardíacos graves no primeiro ano do que no grupo que tomou o comprimido de comparação.
  • Ou seja: mais osso não vem de graça, e a escolha entre os três é uma decisão médica individual, que leva em conta o coração, o rim e o histórico de cada pessoa.

Nada disso se compra por conta própria. São injeções de prescrição, com acompanhamento e exames — não é suplemento e não é "protocolo de internet".


No Brasil

A teriparatida tem registro na Anvisa desde 2003. Mesmo assim, foi retirada da lista do SUS em 2024, com a justificativa de que o custo não compensava diante das alternativas.

Em junho de 2026, o Ministério da Saúde decidiu também não incluir teriparatida nem romosozumabe para homens com osteoporose grave — entre outros motivos, porque não há estudo suficiente nessa população (Portaria SCTIE/MS nº 33, de 12/06/2026).

Na prática: hoje, no Brasil, esse tratamento passa por plano de saúde ou pelo bolso. Se você ou alguém da família fraturou por osteoporose, a conversa que vale é com o médico — sobre risco real de nova fratura e sobre qual caminho é possível no seu caso.


Isto é informação, não receita: só o seu médico pode indicar, trocar ou suspender tratamento de osteoporose.

Fontes

  1. https://www.mdpi.com/1648-9144/62/4/687
  2. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29129436/
  3. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28892457/
  4. https://www.conass.org.br/conass-informa-n-111-2026-publicadas-portarias-sctie-que-tornam-publicas-decisoes-sobre-incorporacoes-no-sus/
  5. https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2024/relatorio-de-recomendacao-no-921-teriparatida/@@display-file/file
  6. https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/2026/relatorio-de-recomendacao-no-2-002-romosozumabe-e-teriparatida/@@display-file/file