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Para leigos31 de agosto de 2026

Aprovaram um remédio para uma doença raríssima — e o teste com sorteio tinha dado errado

O primeiro remédio da história para a síndrome de Barth foi aprovado com 12 pacientes, e a parte mais confiável do estudo não bateu o placebo.

Existe uma doença genética chamada síndrome de Barth. Ela é tão rara que atinge cerca de 1 em cada 1 milhão de meninos nascidos — algo como 150 pessoas nos Estados Unidos inteiros. Em setembro de 2025 ela ganhou o primeiro remédio da história: a elamipretida. E a forma como esse remédio foi aprovado ensina bastante sobre como ler notícia de "avanço médico".


O que se sabe

O estudo tinha 12 pacientes. Doze.

Na primeira parte, metade recebia o remédio e metade recebia placebo, sem ninguém saber quem era quem — o jeito mais honesto de testar, porque tira do caminho a expectativa de quem toma e de quem avalia. Nessa parte, o remédio não foi melhor que o placebo nas duas coisas que os próprios pesquisadores tinham prometido medir: quanto a pessoa consegue caminhar em 6 minutos e o quanto ela se sente cansada.

O que virou a aprovação

Depois dessa fase, todos passaram a receber o remédio, todo mundo sabendo, sem grupo de comparação. Nessa segunda etapa a força da perna melhorou bastante ao longo de três anos.

Em 8 pacientes. Foi esse o número aceito pela agência americana, numa modalidade chamada aprovação acelerada, que existe justamente para doenças em que não há como reunir centenas de pessoas.

A própria bula diz que a permanência da aprovação pode depender de um novo estudo que confirme o benefício.

O que ainda não se sabe

  • Se o remédio faz a pessoa viver mais.
  • Se reduz internações.
  • Se evita problemas no coração.

Nada disso foi demonstrado. Melhorar a força da perna é um sinal encorajador — não é a mesma coisa que provar benefício.

Cuidado

Esse remédio existe só nos Estados Unidos, com receita e acompanhamento médico, e não tem registro na Anvisa.

Ele foi estudado numa doença genética específica, em 12 homens. Nada disso autoriza usar a substância — vendida por aí como "SS-31" — para ganhar músculo, melhorar desempenho ou "energia mitocondrial". Para esses usos não existe estudo que sustente.

E o efeito colateral mais comum não é pequeno: todos os pacientes tiveram reação no local da injeção.


Este conteúdo é informativo e não substitui consulta, exame ou orientação do seu médico.

Fontes

  1. https://www.fda.gov/drugs/drug-trials-snapshots/drug-trials-snapshots-forzinity
  2. https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/lookup.cfm?setid=146bf34c-76f2-48db-ac07-fb29cce2cd75