A caneta de emagrecer não salva a memória: o que os estudos sobre semaglutida e Alzheimer mostraram
O maior teste até hoje mostrou que a semaglutida (das canetas de emagrecer) não freia o Alzheimer, mesmo melhorando alguns exames de laboratório.
Nos últimos anos cresceu a esperança de que a semaglutida — o princípio ativo das famosas canetas de emagrecer (Ozempic, Wegovy) e do comprimido Rybelsus — pudesse ajudar a frear o Alzheimer. Em 2026 saiu o teste que faltava: grande, longo e rigoroso. A resposta curta é não.
O que foi testado
Dois estudos, somando 3.808 pessoas com Alzheimer em fase inicial, deram a metade dos participantes o comprimido de semaglutida e à outra metade um comprimido sem efeito (placebo), por 2 anos. No fim, a doença evoluiu praticamente igual nos dois grupos. Os resultados foram publicados na revista médica The Lancet em 2026.
O detalhe que engana
Alguns exames de laboratório (marcadores medidos no líquido da espinha) até melhoraram um pouco com o remédio. Isso pode soar animador — mas não se transformou em benefício real: a memória e a independência das pessoas seguiram no mesmo caminho. É a lição mais importante da história: um exame que melhora no papel não é a mesma coisa que uma pessoa que melhora na vida.
O que ainda não se sabe
Não sabemos se outras doses, outras formas de aplicação ou outros remédios parecidos teriam resultado diferente. Isso ainda está em estudo. Por ora, não existe prova a favor de usar a semaglutida para a cabeça — e existe prova contra.
O cuidado
A semaglutida é ótima para o que foi criada: diabetes e obesidade (e, fora do Brasil, uma doença do fígado chamada MASH). Para Alzheimer, não funcionou. Nada de usar a caneta por conta própria para a memória.
Fonte: estudos EVOKE e EVOKE+, The Lancet, 2026.
